Uma gotinha de caos
 
Contra a geração do imperativo
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Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

   
Carnavando

Carnaval, fantasia, glamour, cultura, felicidade, ressaca



Carnaval, companhia, sexo, promiscuidade, solidão



Carnaval, música eletrônica, Belo Horizonte, computador, cigarro e coca-cola


posted by TOMAZ SÁ 3:24 PM


Terça-feira, Janeiro 22, 2008

   
2008 by Quiroga

A partir de agora, tudo que você quiser conquistar dependerá menos de golpes de sorte ou de bons relacionamentos, e mais do esforço empreendido com absoluta dedicação e boa vontade. Em alguns momentos, e por causa disto, sua alma vai achar que perdeu de vista aquela estrela da sorte que fazia tudo parecer tão fácil. Não se preocupe, a estrela não se perdeu, mas agora ela seria inútil, pois como sua alma precisa compreender a verdadeira natureza de alguns relacionamentos, e se livrar destes, isto só poderia ocorrer como resultado de uma visão realista de tudo, a qual só adviria do atributo do esforço. Por isso, arregace as mangas e se dedique a cultivar hábitos puros e saudáveis, pois especialmente para seu signo importarão mais estes do que quaisquer golpes ribombantes de sorte.

www.quiroga.net
posted by TOMAZ SÁ 1:18 AM


 
Meus Dias de Sofia

Nestes dias de Sofia entendo quem fica
Quem não sabe das novidades de um lugar distantes
O medo do desconhecido
A espera

A fúria em ver o reflexo das luzes no asfalto
Na esperança de agarrar com os dentes
Antes de ser devorada

A intensidade de uma noite solta
Na tristeza de uma volta só
Na falta vazia da cama
No calor solitário por dentro das roupas

Nestes dias de Sofia me prendo a livros
Televisão
Qualquer ópio que me esqueça o chão
Qualquer chão que me traga prazer

E nestas longas horas em que sofro
Curtos minutos os quais resolvo
Dobro a colcha, afofo travesseiros
Alimento os bichos, esvazio os cinzeiros
Como se o lar nítido
Pudesse lembrar paraíso

Me sirvo de músicas de saudade
De cançasso, de coragem
De quem carrega os próprios muros

Tomo vinho, fumo muito
Como se isso fosse tudo
Até ele então voltar

Nestes dias de Sofia
Me sirvo do que há de contraditório
Em saber que concluir
É estar perto do final

posted by TOMAZ SÁ 12:19 AM


 
Essa Mulher
(Joyce e Ana Terra)

De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah. como essa santa não se esquece de pedir pelas mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim, feliz
De tardezinha essas menina se namora
Se enfeita se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural.



posted by TOMAZ SÁ 12:04 AM


Segunda-feira, Abril 02, 2007

   
Pós-mordendo

Talvez os ingleses que trafegavam pelas ruas de suas cidades em meados dos anos noventa soubessem exatamente o que tenho sentido como brasileiro nos anos 2000
Total e completa ausência
Indiferença em nível extra-inaceitável
Invasão
Coerção
Falta de referência
Somos todos zumbis com fones de ouvido
Imersos em nossos mundos
Louvadores de nosso autismo
O caminhar da humanidade é um bêbado de óculos escuros às seis da tarde de um inverno
Ouvindo som em seus fones no volume máximo
Em cima de uma bicicleta a setenta por hora em meio ao tráfego fluido e pesado
Fatalmente perderá os cotovelos e joelhos
A falta de seus apoios físicos talvez lembrem no final
Quando a bicicleta voadora ainda o martelar no chão após a queda
Que ele mesmo negou ou negligenciou seus apoios espirituais
Que só dependiam de seu modo de pensar
É tão simples ser completo
E tão difícil se aceitar
posted by TOMAZ SÁ 10:35 AM


Terça-feira, Janeiro 31, 2006

   
No Future

Ela queria que a outra tivesse mais futuro
Ela achou que o futuro tivesse algo comigo
E a outra tentou ver o futuro antes de todo mundo
Ela estava enganada
Só a outra tem amor
E quem liga para esta merda de futuro mesmo?
posted by TOMAZ SÁ 10:30 PM


Domingo, Janeiro 08, 2006

   
Vertigem

A essência é imutável.
Tudo muda de cor, cheiro, vestimenta, direção mas nunca de essência.
As gerações crescem com os mesmos conflitos e o mundo maravilhoso que criamos, ano após ano, milênio após milênio, sofre mais e mais a crítica indiferente de quem o vê pela primeira vez com olhos formados.

Para quê tudo isso?

Nossos produtos, serviços, mercadorias, escambos, nossas naus...
Pilhas e pilhas de pedras, pedras feitas de todos os minerais conhecidos, coisas lindas, enormes, úteis, decorativas; paleativos para dores, dores para punição.
A máquina gira, nós completamente presos dentro dela, a medusa guardando as saídas.
Estamos de verdade dentro da Matrix e em nosso caso não há nada de heróico, fantástico ou sequer diferente lá fora.
Nos agarramos na fantasia e nos frustramos por sabermos muito sobre ela.
Eu cresci, não vôo, não atravesso paredes, não tenho visão de raio-x, nunca tive. Tinha a vantagem do desconhecimento da impossibilidade, mas não tinha magia, tudo o que eu tinha era mágica e isso a medusa me levou com os anos.
Bla, bla, blas de crise de identidade, rebeldia sem causa, depressão pós-adolescente, chamem do que quiser, vocês só fecham os olhos para a verdade quando regurgitam os velhos sermões de homen-branco-adulto-economicamente-ativo.
E a verdade está aí em nosso tedioso plano, a verdade é que a vida não é nada divertida, a verdade é que inventamos a nostalgia e a romantizamos apenas para que não olhemos dentro dos olhos frios e cruéis da saudade e a julguemos como abominável.
Nosso presente é cada vez pior o que nos leva a concluir lógicamente que mensagens de um próspero ano novo são apenas piadas de extremo mau-gosto.

Porque isso tudo?

Definitivamente, pagamos pecados que não são nossos, em contra partida, jogamos envolvidos em nossa preguiça, nossos próprios pecados para as gerações posteriores.
Todos estão tão ocupados com o caminhar de suas engrenagens que são incapazes de ver coragem nos próprios corações, não sou exceção.
Eu compartilho deste medo horrível de ver minhas molas e engrenagens saírem voando, de que a medusa venha transformar mais da minha pouca mágica restante em pedra.
Talvez a medusa de todos nós juntos seja apenas o desconhecido, o novo, talvez nosso pior medo seja um lindo futuro.
Na verdade nosso pior medo é não ter adjetivo para o futuro, então ficamos com o futuro ruim, que ao menos sabemos como funciona.
Diante de conquista tão longínqua, nos basta querer magia, ansiar por deuses e eufemizar saudades.

posted by TOMAZ SÁ 11:20 PM


Sábado, Janeiro 07, 2006

   
Sombra

Aonde eu me encaixo?
À qual das percepções cabe o objetivo final?
Me guiaria pela primeira, por parecer mais espontânea?
Logo mais mágica, sensível e certa aos olhos do acaso?
Vi logo planos, esquemas de magia
Esquemas são testes
Testes são sensatos...
Mas mágicos?
Cá colhendo novas e velhas flores
Que já não consigo classificar desde que perdi a visão do alto do muro
Se ao menos eu soubesse prá que lado caí...
Dentro de tanta cegueira
O espontâneo começa à parecer razoável
Porém, tão racionalizado, começa à perder sua espontâneidade
Uma, duas, três bombas do céu
Uma te quer bem, mas te deseja
Outra te deseja e deseja muito tudo
A terceira, incógnita, dá pistas
Mas já foi clara ao dizer que este é o máximo que se pode arrancar
Ao menos na tensão inicial
Que parece infinita deste lado de cima do muro

Outros jardins, não mais secretos...

Como um vagão
Dois mil e quatro pára e me deixa na estação
Do mesmo jeito rápido e elétrico que chegou, se vai atrás de mim
Deixando pó naquele lugar antigo e estranhamente familiar
Ilusões do portal, cá está mais uma
Decifra-me, pois já te devorei...
Tudo vazio, a escada de saída ao contrário do normal
(Como se eu já não estivesse acostumado com estes contrários)
Desce, não sobe... As colunas antigas que sobem até o teto obscuro me dão arrepios
Algo lá em cima observa
E provavelmente se diverte
Resolvo descer, já que esta é a saída
À passos calmos vem o garoto, vestido apenas com uma túnica romana bem surrada
Cabelos negros, lisos até o queixo, olhos felinos e claros, ele se aproxima cada vez mais
Eu, sem reação diante da espera de qualquer acontecimento, deixo-o se aproximar...
Mais... mais... mais...
E mais...
Minha catarse é quebrada com seu beijo em minha boca
Um beijo de amor
De um amor feminino
Com vigor masculino
De uma intensidade feminina
Masculinamente graciosa
Só então a palavra... seu verbo...
"Eu te amo
Amo tua vida, teus conflitos
Amo teus erros,
Teus indícios de pouca sabedoria
Amo
A reciclagem da bebida que ingere
Saída das fontes que ilusiona
Amo-te
Por sua ignorância terminal
E por seu vigor em sufocá-la
Amo a brutalidade com a qual é sensível
Foi assim também que aprendi amor"
Ele se ajoelhou e fez como se me entregasse algo apesar de suas mãos vazias
Entrando em sua dança, eu toquei o suposto objeto e senti
Que era o próprio verbo, agora em meu poder
"Me ama?
Me conhece prá me amar?
Me possuiu?
Me tocou?
Só vejo em mim míseros fluidos teus
E paixão que me assalta a alma por tuas palavras
Não vejo amor
Vejo apenas loucura em teus olhos
E a chama incandescente da ternura em meu peito
Que concebe a fumaça tortuosa do impecílio ao objetivo
Me ama?
Então me mata
Pois não mais posso com estas esfinges
Não há metal para estas brasas
Nem espírito para teus versos"
Ele se levantou e olhou sério em meus olhos
Foi então que percebi
Ele necessitava da palavra em minhas mãos
O mesmo que ele, eu fiz, ajoelhei-me e entreguei
Não sei por que segurança que agora me invadia
Curvei-me e entreguei
Ele aceitou e fez uso dizendo:
"Não me decepcione
Deixando a ignorância flagelada ter tanta paz com estas palavras
O último de teus erros deve sucumbir de imediato
Falas de objetivo como se de verdade o tivesse
Diz-me do fim como se o conhecesse
Erro teu
Por não seguir teus próprios impulsos
Por vendar-te frente à liberdade de teu espírito
Sabes quem sou
Sabes os porquês
Porque se engana tanto com tanto potencial para enganar pro bem
Conhece bem o bem
Conhece mal os males
Caso contrário não jogaria tantos brinquedos com a sorte
Ela já lhe é bem generosa
Então, o que sente?"
E novamente me passou o verbo
Mas nada mais eu precisava dizer e este sumiu no ar, o garoto levantou e sorriu.
Foi da maneira que entrou.
Sim, eu sentia as respostas, só não lhes dava força para me falarem
E quando parei para escutá-las, no exato momento em que ele me perguntou o que eu sentia.
Elas vieram claras à minha cabeça e pude ouvir de vez
Minha ignorância agonizar
Quem me dera fossem seus últimos gritos.
Continuei minha trilha túnel adentro, até dar num salão mais iluminado, à frente podia ver três túneis, um claro, outro de luz azul como fim de tarde, e o terceiro escuro, manchado de sangue, de onde se ouviam uivos assombrosos, na beira deste estava outro garoto, um pouco mais velho que o primeiro, corri em sua direção e um pouco mais perto pude reconhecer de imediato.
_O que faz aqui?
_Ora bolas! Você ainda pergunta? Sou seu dianteiro lembra-se?
_Por isso mesmo... O que faz no mesmo lugar que eu?
_Não é exatamente o mesmo lugar... Quer dizer... é e não é. É o mesmo espaço físico, não meta-físico, compreende?
_Na verdade não.
Ele riu.
_Então, quando você chegar ao mesmo lugar que eu, com certeza conseguirá compreender.
_Vai entrar neste túnel, não parece convidativo.
Ele ria mais alto de mim.
_Não entende que não posso ver os outros túneis mais? Não entende que estas opções já me passaram? É meu destino, estou pronto.
Eu estava com medo, não o queria entregue à qualquer tipo de fera que lá o aguardasse.
_O que há lá dentro.
_Lobos eu imagino...
_Como assim? Vai caminhar por esta direção sabendo o que o aguarda.
_Os lobos não me aguardam, esta é a vantagem! O que me aguarda é o fim, um dia, seja ele bom ou ruim. Espero que seja bom devido ao fato que ando bem consciente de minhas escolhas neste jogo.
_Ah, não acho uma boa idéia...
_Passou por ele?
_Quem?
_O garoto.
_O...
_Sim... Ele... O Louco.
_Então era mesmo ele...
_tsc...tsc... Mataste um dragão e és incapaz de compreender um beijo...
Foram as últimas palavras de Pedro antes dele sumir na escuridão do túnel mais escuro.
A passagem se fechou, me deixando o dia e a tarde como opções.
Por mais que a tarde virasse noite, parei de racionalizar os sussurros de minha alma e embarquei na passagem do meio, caindo num bosque...
Tarde de primavera...
Notei a menina que corria, brincando de pic-esconde comigo, risonha e juvenil, por trás das árvores.
Feição maravilhosa, familiar também.
Estava encantado, por seu sorriso, seus olhos e seu bosque. Depois de muito me fitar, veio à conversa.
_Oi...
_Olá... ¿ Respondi
_Xiii... Fale baixo... Ela pode notar que estás aqui.
E apontou para uma escada que levava à uma pequena porta com uma fechadura, era um sótão em pleno céu anil, a pequena ninfa ria e voltava à se esconder, entrei em seu jogo a procurando.
Quando a agarrei embaixo da árvore ela voltou a falar.
_É isso que quer? Pode ter, aqui e agora. Mas se assim me possuir, ninguém poderá trancar o sótão e ela pode sair. Você não quer isto, quer?
_Porque não o tranca e volta prá mim?
_Humm, porque não estou certa de que é isso que você quer também...
_Porque?
_O sótão só se tranca uma vez, após trancado, nada entra e nada sai.
Notei que o horizonte do bosque era infinito de belas paisagens e que lá podia vagar por eras sem uma saída rápida, talvez o sótão fosse o caminho certo, ou pelo menos o mais rápido para outra etapa daquela mesma estação.
_Desculpe garota, preciso de mais informação.
Ela voltou à correr risonha e eu à perseguí-la.
Na beira do lago então, me joguei contra seu corpo, fazendo com que os dois caíssem na água e pude notar seu belo contorno com a túnica encharcada, o rubor na pele e satisfação em cada mamilo já rosa por baixo do fino tecido branco. Eu queria muito ali ficar, mas sabia bem das peças de tal caminho, a ninfa poderia deixar de sorrir com o julgamento do tempo e minha companhia imprevisível. Nossa união poderia me levar à outros caminhos, mais distantes que minhas previsões ignorantes.
Mas céus, como eu queria. Agarrado à ela novamente, não teve opção senão me informar.
_À mim você não conhece.
E retornou seu olhar ao sótão, depois sorriu e apareceu em cima da pedra, no alto da queda d¿água.
Entendi que ela era o desconhecido e não quem quer que fosse no sótão, dúvidas invadiam minha cabeça, nem sempre o conhecido é bom mas o desconhecido é sempre imprevisível. Juntando seus últimos travessões, entendi que podia ter as duas coisas, caberia à sorte, aquela porta no céu não se abrir enquanto provava dos doces da ninfa. Não precisava ser mágico para entender que ali estaria minha ruína, o desastre. Quem tudo quer, tudo perde...
Provérbios malditos! Contaria com a sorte?
A ninfa não me fez mais companhia quando a noite caiu, e o garoto, O Louco, voltou na madrugada.
Enquanto eu olhava as estrelas, pensando no final do caminho, em minha decisão na próxima tarde, quando a ninfa voltasse e eu pudesse enxergar novamente o sótão. O Louco berrava nos vales:
"Pedaços contam histórias erradas!!!"

Magnólia no país de minhas confusões

Teu sorriso, aqueles dentes pequenos, lindos
Acolchoados por lábios finos e rosas
Sem baton, ao natural
Naturalmente bela
Deixa de ser mulher
Para ser um conjunto da obra
Com tuas palavras esquenta algo em mim
Me traz adolescência, rubor, borboletas
Quase como um bem à ser guardado e cuidado
Tombado pela humanidade
Que diante de tuas pernas cede
Aquele sorriso de dois, talvez três anos atrás
Não mudou nenhum pouco
E na presença verdadeira do álcool
Sei que deixa escapar tuas intenções oculares
Camufladas por gentileza feminina
Ah mulher, se teu olhar vira palavra
E teu sorriso, redenção...
Vou aí dentro gastar minhas conclusões em te conhecer
Mostro aqui fora um fim horrível
Que eu sei sereno
Em ser apenas o começo

Paisagismo

Ah se me experimentasse à experimentar
Se coragem canalha me toma de assalto
Eu mintia, discursava, discutia...
...atuava.
Perturbado.
Condenando ao exílio mudo das expressões das letras,
infinitos desejos de não ter.
Por tudo à perder por fascínio ditador
Perder por querer não mais falar à flor
Ínfimos despejos de seu ser
"Ó"! Se me desgarro à embrenhar
E se sorriso suspeito te escapa à culatra
Eu corria, eu fugia, fingia...
...terminava.
Derrotado.
Magoados, exterminados em meio a sua revolução,
íntimos gracejos do querer
Ferir a língua e não falar de amor?
Meu dia coringa anuncia
Íngremes paisagens do atingir
Indecisos gravetos ¿ o sustentar

Rosa Vermelha

Madrugada insólita esta de frio paulista, já há dois invernos conhecido por minha alma carioca
Aquelas palavras e olhares de um Rio de Janeiro em primavera descem minha garganta junto ao vinho
Uma traição e uma rosa há muito perdida
Peço perdão; à ti por me repetir e aos céus por me acreditar
Me embebedo furioso, porque dentre tantas memórias haveria de ser esta à ressoar insone?
Vasculho tuas fotos procurando lembrar tua boca
Tentando desgustar o dia em que ela me tocou
Desesperado por não ter mais fixo em minha mente tal toque, recorro a tuas palavras
Teus dizeres íntimos
E antes que o sol veja meu crime, finjo e invento ser homens e mulheres da tua profundidade sexual
Te vejo me odiando em alguns lances tempestuosos
Me finjo te rasgando nas fantasias violentas
Me toco te tocando
Pois a mais rara flor está além das distâncias
E sempre será aquela que nunca repousou sob meus dedos
Egoísmos humanos sedentos de possessão virtuam loucuras neste espírito flagelado
Encarcerado pelas próprias certezas malucas
Que conduziram-no ao que parecia eterno
Continuo em meus devaneios pensando que podias conhecer melhor meus lábios
Ah te faria sentir! Como a primeira me fingindo o último
Como a última sendo o primeiro
E mais como você quisesse me ilusionar
Me entregaria ignorante à teu encanto como fiz meus olhos gozarem tuas letras
Querer, querer e não ter, infantil por pouco buscar
Maduro em esperar
E eu que fui espírito livre, "...humanos como nós..." - bem marcado em teus escritos
Lamento o dia em que escolhi me regrar e condicionar meus amores
Até as cartas me falam de você e contam de um lugar que devo ir
Procurar os prazeres que perdi
Fazer gozar esta alma que prendi à pulso e gargalhadas sádicas de meu alter-ego
Lendo com teus olhos
Também me apaixono
Por todos que só amam
Perdido entre tantas auto-definições descubro que não é só de ti que tenho saudades
É de mim naquele espaço-tempo
É do tempo que passa interno
É do vício em existir que me pulsava
Como se te possuir fosse voltar...
...à me possuir.
E se hoje me perguntam se realmente cruzei todos aqueles mares que prometi
Se me joguei contra os azares do amanhã e lutei pelos favores do ontem
Eu digo apático que apenas não estou
E que deixem seus recados à este que não sente

Rosa Azul

Entrelinhando o que não transparece
Eu jogo a verdade em suaves e quentes colchas de letras
Estas que fonéticamente afogam a língua nos lábios
Que com sorrisos desvia a atenção do inconsciente criminosamente pensado
Pro superficial, futilizando o que quase é
Mas brinca de não ser
Pelo simples fato de que o que é hoje
É
Utopizado
É mais simples que isso cavalheiros
Me falem agora e por favor me calem para sempre
Pois me impulsiona o simples fato de voarem as borboletas
Me impulsiona sentir como se fosse
Mesmo sem ser ao que a vista alcança
Quem estou enganando?
Sempre é, prá mim sempre é
Em todos os gêneros e graus... e números
E por todos os instantes destes últimos segundos
Eu queria mais
Eu queria mais uma vez
Por mais que fosse entre o alvorescer
E o ir embora
Por mais que mais tarde as terras se afastassem
Por mais que ontem fosse nunca mais
Eu não irei sufocar esse vôo
Eu vou dizer que quero
E só vou dizer que quero, porque não há mais, porque se foi
Porque não atrapalha
E daquela frequência de rosa e azul os únicos hertz que me atingem
São os que sumiram com o desgaste do tempo
Aqueles que a gente quer guardar prá todo o sempre
Mas acaba destruindo em algum lugar de nossos armários

Falando dessas flores

Porque?
Porque não tocou Flora?
Porque não beijou Andressa na piscina?
Porque não insistiu em Mariana
Porque se declarou à Flávia e consumiu Nina?
Tão menina
Cada qual em seu clube
Porque deu corda e mentiu?
Coisas de outra Flávia
Porque não foi honesto com Luciana?
Talvez ela te ensinasse algo
Porque não jogou com Thalita?
Mesmo que não houvesse fim...
Porque diabos não segurou Clara
Pelas pernas
E pela língua...
Porque não fez mulher de Vivi
Na ilha?
E porque não tentou Mônica, enquanto podia?
Porque diabos não traiu Alice
E voltou à metrópole
Caçar confusões de novo
De novo Mônica
Porque não agarrou a mão da Tati
E foi afundo em suas confecções
Porque não acreditou em Gabriela
E se jogou errôneo
Ao lixo de Aline?
Porque cair em Priscilla?
Quando a lista de coisas que não fez
Estava prestes à morrer
Podia ter esperado Carol
Podia ter conhecido Bella
E aí...
Podia ter tido
Poderes
Ter tido à todas elas
Sem nada ter
Além de paz
Nesta alma aventureira
Que goza em livros
E revistas piores
Do que todas as chances

Magnólia Vampira

Dite sua beleza aos carvalhos secos
Magnólia vampira
Mostre o quanto aprendeu com as orquídeas
Cheira à flor do mal
Mas dança na primavera
Transparecendo seu mimetismo ingênuo
Respira gotas de sangue
Transpira tristeza leve
Mas sonha menina
Romances da avó
Quando se tocava nas férias no sítio
Enquanto os primos tomavam sorvete
E olhavam as saias florais das meninas na praça
Ficaste na casa grande
Mocinha
Indisposta aos jogos
Dançando na primavera
Magnólia vampira
É possível a condição de reapaixonar-se?
Sim, claro que é...
Este lírio negro que apagou sua loucura
Achando sensatez em sentimentos
Realmente acreditou naqueles planos
E fez um jogo simples tornar-se contra
Se envolvendo
Provocando "Estocolmo"
De propósito por fraqueza
E até índole
Agora vê o resquício branco em sua folhagem
Se encanta por sorrisos caóticos
E sente de novo aquilo
Por aquela novamente
Magnólia
Vampira

posted by TOMAZ SÁ 10:48 AM


 
Ah meus son(ho)s ultrapassados

Sinto que as fotos me levaram juventude
Me levaram saúde
Me levaram você

Vejo bem que as canções que guardo
Me levaram alegria
Me levaram disposição
Me trouxeram vícios
Nada, nada divertidos
E acabaram por levar um pouco de mim

Sinto que nossos planos, objetivos, megalomanias de dançar na chuva
Terminaram com os anos noventa
Engolidos com riffs viscerais de guitarras grunges
Que diluidos entre bumbos e caixas a 170 bpm
Os mesmos que anunciaram esta era tão confusa e fragmentada
Nem soam mais assim...
...tão imponentes

Vejo bem que aqueles nossos cinco anos de vantagem
Na verdade puseram o laço de fita
Que faltava na bandeija de comida
Que nos tornamos para a próxima geração

Sinto uma saudade cortante, descomunal, avassaladora e fatal
Me dizendo que nostalgia é algo bom
Mas lembranças são um terreno muito mais
Ardiloso
Calejado
Senil

Porra
Eu sou tão novo
Tão novo...
Qual é a merda do problema?!

Temo
Que aquele velho K7 que você me gravou
Não toca neste som

posted by TOMAZ SÁ 10:33 AM


 
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